Do certo incerto modo,
Amar, mata.
Fez-se claro...
Amar não é vida, é morte
A morte cristaliza as coisas
E amor é cristal em cortes.
Cristalizar- se é estatuar a vida
Não respirar... Não falar... Não andar...
Quem ama é estátua,
Estátua sofre...
Em branca pele não respira,
Imóvel, não enxerga o amor que passa em cofres
Eu sou estátua
Todas as indiferenças foram cravadas em meus braços,
(Sou estátua, rígida, pesada, meu amor passa por mim mas nem existo)
Sou lixo, sou nada,
Sou o frio em pedaços.
(Marcelina)
"Aqui, junto à poesia somos todos cúmplices. Todos nós podemos tudo, todos nós somos tudo, dentro deste nada caótico de ser gente..." (M.O)
quinta-feira, 24 de junho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
Texto Quadrado
Hoje nada mais serve. Nem confiança, nem vento, ninguém, nada... Eu dei os nós. Me amarrei nos espelhos e fiquei a perseguir. Enxerguei todas as esperas e elas me serviram de guia em meus tortuosos caminhos. Escutei ao longe, alguém me chamando, aquele era o sinal correto para o caminho. O caminho estava encoberto pela fumaça, mas o cheiro do alecrim seco queimando, me sequestrou de mim mesma. Era apenas um aquário lacrado, coberto pelo perfume real do Olimpo. Agora já é tarde para voltar. Tarde para olhar para trás. Tarde para todos que seguiram e se perderam no caminho normal. Sabemos o caminho de volta. Aprendemos o peso do passo do caminho certo. Ficamos sós. Apenas serão salvas, as pegadas de quem seguiu para o lugar mais longe. Para o nosso caminho. A cumplicidade se fez e nos derrotou. Agora você já sabe os meus segredos. Eu me rendo. Ainda posso voar. Minhas asas quebradas me quedam e me levam. Me vão.
(Marcelina)
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Teoria
(Para Jucilena Travassos)
Aos 40 a mulher eclode.
Separando-se em inúmeros bons pedaços.
São pequenas carnes pulantes, que invadem ruas, cidades, noites, países, mundos
Devoram meninos bonitos e tomam café com chantilly as 3 da tarde, enquanto os velhos morrem...
Naturalmente abandonam suas casas, seus maridos, seus filhos, seus cachorros, suas plantas...
Saem volitando sem rumo pelas ruas amarelas.
Tornam-se gigantes transparentes
Muito maiores que seus vazios repletos de cores
São lindas, firmes, serenamente perversas
Tem o olhar fixo, abrangente e dissimulado de todas as idades perdidas nas sombras
São naturalmente perigosas,
queimam ao toque,
são as meninas tristes do sol
que nuas invadem o mundo com as mãos postas.
Só elas sabem entender no escuro...
(Marcelina)
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Cadáver da Amizade
(Marcelina & Santiago Jan/10 Cachaçaria)
Dor de aço que arde se só está.
Escrava de outra boca a minha palavra
Amigo, és raiz que egoisticamente, se fixa em mim
quando as mãos oferecem sobras como rosas
um copo bobo de quebra, e só você fica
se a briga é brava, vale o fio de barba.
nada resta em mim, se daqui você voar
dois corpos como água do mesmo copo
Amizade de poeta, e tal qual mata escura
como na mata, árvore à árvore se abraça
não tem hora e nem dia. Nossa amizade é.
As retinas e as almas livres de panos e cortinas
Não há sede do capitalismo que a compre. Livre é.
Conceito de amor que nenhum poeta compôs
Não hei de me perder de você, já que sempre te haverá.
Os erros são todos meus. Certo é te saber.
(Marcelina & Santiago Jan/10 Cachaçaria)
Dor de aço que arde se só está.
Escrava de outra boca a minha palavra
Amigo, és raiz que egoisticamente, se fixa em mim
quando as mãos oferecem sobras como rosas
um copo bobo de quebra, e só você fica
se a briga é brava, vale o fio de barba.
nada resta em mim, se daqui você voar
dois corpos como água do mesmo copo
Amizade de poeta, e tal qual mata escura
como na mata, árvore à árvore se abraça
não tem hora e nem dia. Nossa amizade é.
As retinas e as almas livres de panos e cortinas
Não há sede do capitalismo que a compre. Livre é.
Conceito de amor que nenhum poeta compôs
Não hei de me perder de você, já que sempre te haverá.
Os erros são todos meus. Certo é te saber.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Presença
Presença sem gente, imprecisa, vaga, sujeita
Insujeita por si se basta.
Vasculhante, permeada em brumas de sol cristal,
que morre, que escorre...
Alma Puta de poeta barato, que vaga em mesas, noites, bares,
esperando os perfeitos goles, que colorem letras.
Presença tu és.
No maior céu, tu estás.
Nas noites de lua branca,
ensimesmada nos menores pinos,
fixa e plácida tu estás, a vagar brancamente, regendo os normais de boca vazia.
(Marcelina)
Presença sem gente, imprecisa, vaga, sujeita
Insujeita por si se basta.
Vasculhante, permeada em brumas de sol cristal,
que morre, que escorre...
Alma Puta de poeta barato, que vaga em mesas, noites, bares,
esperando os perfeitos goles, que colorem letras.
Presença tu és.
No maior céu, tu estás.
Nas noites de lua branca,
ensimesmada nos menores pinos,
fixa e plácida tu estás, a vagar brancamente, regendo os normais de boca vazia.
(Marcelina)
domingo, 23 de maio de 2010
Inquietudes
Inquietudes
Há nas almas dos lugares
Algo de plena inquietude,
tal qual céus em tardes de fogo
Há no peito do mundo a calmaria insana que se arremete ao plano perfeito das
nevascas noturnas.
Tudo é tempo e tudo se mistura... te implodindo em todos os dias sem rotas.
Sou gelo. Sou fogo. Sou o denso e o veludo.
Sou o dentro e o avesso.
Mai/10
(Marcelina)
Inquietudes
(Para Santiago)
Há nas almas dos lugares
Algo de plena inquietude,
tal qual céus em tardes de fogo
Há no peito do mundo a calmaria insana que se arremete ao plano perfeito das
nevascas noturnas.
Tudo é tempo e tudo se mistura... te implodindo em todos os dias sem rotas.
Sou gelo. Sou fogo. Sou o denso e o veludo.
Sou o dentro e o avesso.
Mai/10
(Marcelina)
Homenino
Corre a vida
rola o tempo
Ele ainda é menino
Pasta a vaca,
apressa o rio,
(Escoa o resto rosa do sol para o nunca mais,)
Ele ainda é um menino.
A noite encobre o tempo
O pai e a mãe na porta.
Ele, já é homenzinho...
O mundo cruel
a dor no peito, o corpo que arde e estremece,
os carros, os aviões, os prédios, as luas,
ele, é um homem
Caminhos coloridos em suaves mesas de bares,
mata duas onças todas as semanas,
é dono do tempo e ainda percorre os campos,
ele, é Homenino.
22/5/2010
(Marcelina)
Corre a vida
rola o tempo
Ele ainda é menino
Pasta a vaca,
apressa o rio,
(Escoa o resto rosa do sol para o nunca mais,)
Ele ainda é um menino.
A noite encobre o tempo
O pai e a mãe na porta.
Ele, já é homenzinho...
O mundo cruel
a dor no peito, o corpo que arde e estremece,
os carros, os aviões, os prédios, as luas,
ele, é um homem
Caminhos coloridos em suaves mesas de bares,
mata duas onças todas as semanas,
é dono do tempo e ainda percorre os campos,
ele, é Homenino.
22/5/2010
(Marcelina)
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