Inquietudes
Inquietudes(Para Santiago)
Há nas almas dos lugares
Algo de plena inquietude,
tal qual céus em tardes de fogo
Há no peito do mundo a calmaria insana que se arremete ao plano perfeito das
nevascas noturnas.
Tudo é tempo e tudo se mistura... te implodindo em todos os dias sem rotas.
Sou gelo. Sou fogo. Sou o denso e o veludo.
Sou o dentro e o avesso.
Mai/10(Marcelina)
Homenino
Corre a vida
rola o tempo
Ele ainda é menino
Pasta a vaca,
apressa o rio,
(Escoa o resto rosa do sol para o nunca mais,)
Ele ainda é um menino.
A noite encobre o tempo
O pai e a mãe na porta.
Ele, já é homenzinho...
O mundo cruel
a dor no peito, o corpo que arde e estremece,
os carros, os aviões, os prédios, as luas,
ele, é um homem
Caminhos coloridos em suaves mesas de bares,
mata duas onças todas as semanas,
é dono do tempo e ainda percorre os campos,
ele, é Homenino.
22/5/2010
(Marcelina)
PresençaÉ estranho teu vácuo. Tua ex-presença.
Me tornei: passados.
Ausência bruta que arrefece o eu de vidro
Escondido por trás dos livros cifrados.
Ausência do olhar engolidor, gerador, avassalador
Olhar que arrumou o caos do mundo por instantes.
Olhar sem timbre, sem cor, olhar marrom, guardado em quadradas caixas de terra
Olhar que me deixava nua, a vagar pela estreita rua
O caminho de cacos de vidro, me pede nova canção ou poesia doída, sangrada
Mas os poemas das luas e prados, engasgam e não nascem mais...
Nos tornamos: presente.
Tento cuspir tua presença, em tempos, que tua ausência ainda me rasgará os músculos, tal qual um estilete brilhante, fino, frio e cego(Marcelina)
Vai sob esta terra, tua mãe,
às vastas moradas, aos bons favores!
doce como lã a quem soube dar,
que ela te proteja do Nada!
Forma arcos sobre ele e não o destruas;
recebe-o, Terra, acolhe-o!
Cobre-o com uma barra do teu vestido
como uma mãe protege o seu filho,
(Rig Veda, Grhyasutra, 4 , 1)
Duas Chuvas
A evasão implícita dos ângulos firmes, me prendem em duas jaulas sem asas:
Uma : corpo.
Outra: Chuva O corpo cai rijo, pesado em solo seco. Explodindo em sangue, músculos, vísceras, ossos vermelhos.A chuva, suave se espalha e se esvai em perfeitos caminhos de vida certa e plena... Cavando espaços, devorando esferas. Engravidando gentes de água...
A chuva tácita, mole, fria, sedutora, barulhenta, enxerga o rumor do mundo sem doer.O corpo já apodrecido pelo tempo, marca a terra dura e estéril de tristeza, peso e dor.
sou tempestade trovoante em pensamentos...
Não sou mais corpo, tornei-me água, me abluí,
chovi ...(Marcelina)
CaprisSeres bons, se maus, terríveis são.Seres não alados, chifrados em si, são sãos.Seres malvados, de corações grandes e alados,Seres indomáveis, sem rumo, seres do mundo.
Capris, são ilhas inteligentes em terras firmes e inexistentes.São hominídeos grandes, viventes em mundos ausentes.Marcelina Oliveira
Amor,
Um eu de mim, existe sem você
outro , te ama com paradas.
Um eu de mim, não te sabes quem és,
outro, te quer sempre, inteiro ... livre.
Eu sem você ando
e com você navego, num mar menos meu do que nosso
Eu em ti, por você em mim,
arrumados,
vamos. (Marcelina)