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domingo, 23 de maio de 2010

Inquietudes

Inquietudes

(Para Santiago)

Há nas almas dos lugares
Algo de plena inquietude,
tal qual céus em tardes de fogo

Há no peito do mundo a calmaria insana que se arremete ao plano perfeito das
nevascas noturnas.
Tudo é tempo e tudo se mistura... te implodindo em todos os dias sem rotas.

Sou gelo. Sou fogo. Sou o denso e o veludo.
Sou o dentro e o avesso.


Mai/10

(Marcelina)
Homenino

Corre a vida
rola o tempo
Ele ainda é menino

Pasta a vaca,
apressa o rio,
(Escoa o resto rosa do sol para o nunca mais,)
Ele ainda é um menino.

A noite encobre o tempo
O pai e a mãe na porta.
Ele, já é homenzinho...

O mundo cruel
a dor no peito, o corpo que arde e estremece,
os carros, os aviões, os prédios, as luas,
ele, é um homem

Caminhos coloridos em suaves mesas de bares,
mata duas onças todas as semanas,
é dono do tempo e ainda percorre os campos,
ele, é Homenino.

22/5/2010

(Marcelina)

domingo, 11 de abril de 2010

Presença


É estranho teu vácuo. Tua ex-presença.
Me tornei: passados.
Ausência bruta que arrefece o eu de vidro
Escondido por trás dos livros cifrados.

Ausência do olhar engolidor, gerador, avassalador
Olhar que arrumou o caos do mundo por instantes.
Olhar sem timbre, sem cor, olhar marrom, guardado em quadradas caixas de terra
Olhar que me deixava nua, a vagar pela estreita rua

O caminho de cacos de vidro, me pede nova canção ou poesia doída, sangrada
Mas os poemas das luas e prados, engasgam e não nascem mais...

Nos tornamos: presente.

Tento cuspir tua presença, em tempos, que tua ausência ainda me rasgará os músculos, tal qual um estilete brilhante, fino, frio e cego



(Marcelina)

sábado, 3 de abril de 2010

Vai sob esta terra, tua mãe,
às vastas moradas, aos bons favores!
doce como lã a quem soube dar,
que ela te proteja do Nada!
Forma arcos sobre ele e não o destruas;
recebe-o, Terra, acolhe-o!
Cobre-o com uma barra do teu vestido
como uma mãe protege o seu filho,

(Rig Veda, Grhyasutra, 4 , 1)

domingo, 21 de março de 2010

Duas Chuvas


A evasão implícita dos ângulos firmes, me prendem em duas jaulas sem asas:
Uma : corpo.
Outra: Chuva


O corpo cai rijo, pesado em solo seco. Explodindo em sangue, músculos, vísceras, ossos vermelhos.

A chuva, suave se espalha e se esvai em perfeitos caminhos de vida certa e plena... Cavando espaços, devorando esferas. Engravidando gentes de água...
A chuva tácita, mole, fria, sedutora, barulhenta, enxerga o rumor do mundo sem doer.


O corpo já apodrecido pelo tempo, marca a terra dura e estéril de tristeza, peso e dor.

sou tempestade trovoante em pensamentos...
Não sou mais corpo, tornei-me água, me abluí,
chovi ...


(Marcelina)

sexta-feira, 12 de março de 2010

Capris

Seres bons, se maus, terríveis são.
Seres não alados, chifrados em si, são sãos.
Seres malvados, de corações grandes e alados,
Seres indomáveis, sem rumo, seres do mundo.

Capris, são ilhas inteligentes em terras firmes e inexistentes.
São hominídeos grandes, viventes em mundos ausentes.

Marcelina Oliveira

segunda-feira, 1 de março de 2010

Amor,


Um eu de mim, existe sem você
outro , te ama com paradas.
Um eu de mim, não te sabes quem és,
outro, te quer sempre, inteiro ... livre.
Eu sem você ando
e com você navego, num mar menos meu do que nosso
Eu em ti, por você em mim,
arrumados,
vamos.


(Marcelina)