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segunda-feira, 1 de março de 2010

MULHERES CLAUDINAS
(Cláudia-MT, Outubro de 2009)




Ai de ti, Cláudia, sem tuas estátuas meninas,
Sem tuas figuras de mulheres perdidas.

Tão altas delgadas vivas monumentais...
Tão lindas, postas e plantadas.
Fulguradas, reluzentes, se, contra teus corpos, o sol se põe.

Fantasma de cristal, se a lua cheia brota de um de teus seios, encantando Iaras.

Espectros lindos...
Mulheres verdes...

Seus corpos esculpidamente retos se retorcem em cabelos cheios e redondos.

E seus rostos...
Seus rostos são invejáveis figuras de todas as mulheres, de todos os tempos.

Deixa seus esvoaçados cabelos verdes se ouriçarem contra o vento, eles sempre serão teus...

Tua longa vida deixa, a tua volta, sementes duras e ternas, iguais as minhas.
Tuas vidas, bela Rainha, são bolas marrons de um peso só.

Feliz de mim, se em minha velhice, meu semblante opaco e cinza, possuir teu pleno vigor senil,
montado em teu cheiro de mata fresca, que tudo vê, tudo engole e tudo cala.

Que se cale em pânico, mata inteira,
para se ouvir falar: a Majestade Castanheira.


(Marcelina)
Lua



Lua de caixa branca
Lua livre, voada, branca
Em mim desde criança.

Caleidoscópio dos que lá me esperam.

Esta lua é minha desde o tempo escuro e pequeno,
Lua que de tão grande me ilumina de descomplicada poesia.

É lunática,
É lua e Letra.
É elo de linguagem branca.
Lua Crescente


Lua prata que de tão grande
nem mais branca é.
Perdeu a cor de medo, pensando em que sua luz me ofusca.
Sob meu pensamento morto, pensado, cansado,
ainda não se sabe se é noite ou dia.

Esse pôr de lua estático
por si me basta, me toca, me leva, me basta, me arranca, me acampa, me envolve.
Sou toda lua. Te olho me vejo.

Lua enorme, dominada em céu cinza reluzente.
Dona.
Toda.
Teu teto é o que me basta, me toma, me bebe, me devora.

Lua mãe, Lua nova, lua eterna, lua imensa.
O meu beber um dia será tua sombra.

(Marcelina)
Mata,


mata, morta mata
mata comprida mata
mata que sara, que dança, que para a dança insana e doída


mata, mata de cabelo verde, de cheiro são, de chuva pesada
mata que me mata tarde, que me orquideia inteira ... por inteira mata
mata de verde, de verde vivo, de vento livre, vento escuro, pesado vento, que derruba, arruma, apruma mata

deita, enterra os pequenos podres

mata que me rodeia inteira, me respira, me leva, me tange, me deita de clorofila cinza arrumado sobre água parada, de um mim reduzido, inquieto e deitado

morto.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Poética

Esta poética assexuada, de mente inconstante e sã,
Que vem e vai, sem buscas
É a ode que me incomoda, me sufoca, me atropela inteira.

Poética, sou melhor só.
Poesia, sou de ninguém.
Não devo ser.

Angústia do ir e vir
Do correr e ficar
Do perder e ganhar
Da ausência necessária e fixa,
Sem mim, sem você

Sou heroína assassinada por palavras
Guerreira vencida pelas letras,
Sou tango sem par.

Será que um dia... Um dia
Ainda caminharei feliz e tácita por campos floridos?
Dê-me sua mão, meu amor utópico
Vamos...

O Tango vai começar.

domingo, 16 de agosto de 2009

Hoje foi um dia bonito, azul e ensolarado.
Ouvi só músicas lindas... Um misto saudável de Raul, Elton John, Cássia Eller, Ana Carolina, Legião...etc... etc...
Mas meu dia musical se completou quando ouvi o cara,,,
Ele é o melhor do Brasil e do Mundo... Ouvi a voz precisa e essencial do meu querido ANTONIO VILLEROY.
Tomei sol ouvindo Antonio cantar... Que sensação única.
Que bom poder nos transportar para outras dimensões através da música.
Meu domingo foi bom, dourado como a melhor cerveja, e sarado feito a melhor lua.

segunda-feira, 13 de abril de 2009





Hoje me olho por dentro com olhos ávidos de coelho, e me vejo do modo que tanto queria ser... Queria ser eu mesma, andar pelos meus próprios caminhos mesmo que me doessem os pés. Queria não ter sido tão protegida, nem ter protegido tanto. A proteção impede as pessoas de serem boas o suficiente para gritarem mais alto mesmo falando baixo. Queria apenas fazer as minhas coisas precisas, simples e boas. Não nasci para estar num aquário. O aquário me sufoca e me enjoa o estômago retorcido e amargo.
Nasci para falar muito, pensar muito, escrever o necessário. Não nasci para um mundo quadrado. Nasci para ser fogo, para acertar as flechadas no meio do alvo sem hesitar. Meu caminho não é este, eu sei disso pois li em meu mapa anos atrás. O mundo tem cordas, mas são curtas. Eu preciso de um meio melhor para achar as palavras exatas que menos doam em minha alma hermética e vermelha. Queria saber pensar, teorizar o que os mestres ainda não entendem. Eu faço o traço inteiro na folha branca de papel de seda, mas às vezes o traço preciso de mais, rasga o papel e desampara o mundo inteiro. Eu sempre me descolo do mundo. O mundo sempre cospe nas pegadas.
Bobagem dos bobos... O que é sempre o melhor, já nasce pronto. Ninguém melhora o bom, ninguém constrói o exato que é o certo bom. Os ruins se teorizam, justamente porque nunca se acham nos dicionários das nuvens. Eu entro em estado de graça e o ruim sai pronto de mim, justamente por que não aprendi a ser boa o suficiente. Ninguém ensina nada a ninguém. As caixas, já nos chegam prontas e lacradas, basta procurar o livro certo. O livro certo. O livro certo. Tenho pavor dos livros certos... Eles são monstros assustadores que povoam nossas vidraças em noites escuras para nos roubar nossos melhores sonhos. São vampiros altos e brancos que sempre vagam velados pela bruma no limiar da vida e da morte. Eles nos pegam e nos levam sempre... Nos tiram de nosso círculo e nos deixam nus nas ruas desertas e apagadas.
Às vezes. Quero voltar para casa. Quero estar em mim ao menos mais uma vez. Mas é missão abortada, porque eu já passei. Desde ontem eu passei e o mundo não viu.



Marcelina Oliveira
13/04/2009